segunda-feira, 8 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A hora de terminar


Relacionamentos amorosos, por mais que sejam idealizados para durarem "eternamente", são, geralmente tal como Vinícius de Moraes destacou: eternos enquanto duram...

Qualquer que seja o fim e o que o proporcione, ora ou outra, toda história de amor tem seu arremate, mesmo que seja com o "até que a morte..."  e se assim o for, torcemos para que seja pela idade avançada dos amantes e não por interrupções súbitas da vida. 

Contudo, amores tem seus términos e antes deles, os motivos e desejos de dar cabo daquela relação que não tem mais sentido, mas esta decisão de terminar uma história de amor nos traz vários questionamentos, incertezas que envolvem além do outro, todo o contexto social em que este casal circula. 



Dar fim a uma relação não é apenas se despedir de uma pessoa e se virar para conhecer outra, mas sim dar arremate a um contexto que havia para aquele casal, de uma rotina que envolvia lugares, amigos, familiares e sonhos em comum. 

Concluir tudo isso não cabe apenas em um adeus. 



O cuidado requerido para o desfecho de uma vida a dois deve ser a prioridade entre o casal que se vai; mas parece que, geralmente, a preocupação maior das pessoas está em demonstrar que superou tudo rapidamente, que (re)construiu sua vaidade, orgulho, tudo, instantaneamente e que o que foi vivido ficou automaticamente descartado. 


A expectativa de que "se parta logo para outra" tem vindo muito da realidade atual em que vivemos onde não há espaço para tristeza, para lutos, mas sim para se anestesiar e rapidamente se exibir nas redes sociais sorrindo em fotos de diferentes eventos, com diferentes pessoas.

Há vigente algo como uma pressa (ou impaciência?) para viver o máximo de opções que a vida pode oferecer e não necessariamente para viver o que estamos carecendo em dado contexto. E se você parar para ser reflexivo, se permiter se retirar do fluxo dos acontecimentos sociais para se organizar com seus sonhos e sentimentos... se você pára para 'sentir' o que tem que sentir, corre o risco de ser excluído, criticado, enfim, voltamos ao ponto da falta de cuidado com o outro...


Parece que não temos tempo/oportunidade para fazer o que precisamos fazer, o ritmo do mundo e dos outros é diverso do nosso, seremos influenciados sim por eles, mas podem não ser determinantes.

O cuidado também está de nós com nossos próprios atos.



Viver um término de amor, tendo este a idade que for, é um momento delicado e exatamente por isto deve ser vivido com cautela, quer com si mesmo quer com o outro que foi amado. Ambos estão perdendo, ambos estão mudando e tentando se (re)adaptar ao dia a dia, só que agora um sem o outro. 








Um fato importante que deve ser destacado é o que nos leva à decisão de que é o fim. A lista de possibilidades é grande: defeitos do outro, dificuldades de negociação entre os gostos na rotina do casal, egoísmos, vaidades, traições, distrações... tanto faz o mote, o ponto chave para a decisão do final não está no outro, nos outros, nem no mundo.

Nosso próprio sentimento é nossa verdade.



O real, ou verdadeiro motivo, somos nós mesmos.


A facilidade de apontar em volta e distribuir as culpas, responsabilidades (e irresponsabilidades), torna a decisão mais clara, mais fluída. 







O contexto interfere, o outro influencia, mas quem sente é só você mesmo e se dar conta de que o que está sendo sentido agora não tem mais a importância necessária para sustentar a convivência com aquela tal pessoa, pode ser tão opressivo quanto o susto de uma perda súbita de alguém.

Afinal, pensando bem, é disto que se trata: de nos darmos conta de que aquela pessoa que habitava meus sonhos comigo não está mais lá e estou sozinho novamente.


Amores acabam. 

O sentimento que uma pessoa nos despertava e atribuía sentido às nossas existências pode se esvair e demoramos para perceber que, aos poucos, ficou sem sentido aquela presença ao nosso lado... 




Podemos tentar dar as explicações mais elaboradas para os fins de casamentos, uniões que se julgavam eternas; mas o único fato relevante é o que se sente: a solidão está de volta.

Se olhar para o lado e perceber que a companhia do outro não lhe traz mais "O" sentido que outrora fazia-todo-sentido, não é momento de acusações, mas de sentir, refletir, desculpar (muitas vezes a nós mesmos) e se despedir.



Casais que estejam vivendo isto, reflitam,  vivam-se, cuidem-se, e se for hora de terminar, tratem-se com cuidado e respeito, afinal, vocês já se amaram um dia e isto não perde o valor na moeda da experiência de vida.    
         

sábado, 9 de março de 2013

Duvidar antes de dizer sim ao casamento


Muitos casais chegam até ao altar movidos pelos mais variados motivos, menos pelo amor.

Pelo amor?
O que é isto?

Basicamente a vontade sincera de estar com o outro porque isto daria sentido a nossa vida e porque, inexplicavelmente, nos faz bem. 

Infelizmente, com a experiência adquirida com atendimentos a casais e, principalmente, noivas na fase pré-casamento, o que pode ser comentado é que a frequência de justificativas e desculpas para dizer "sim" ao matrimônio era muito superior do que as declarações de amor e admiração ao parceiro. 

Os motivos que levam as pessoas a darem ok para as alianças vão, desde cobranças sociais a exigências familiares ou metas a serem alcançadas, sem constar com o valor afetivo da relação. 
Exemplos na ordem que foram citados: 

- Já estou com XX anos e já está na hora de casar, não é? Na minha idade ninguém mais está solteiro. Todos os amigos são casados, e é ruim ficar deslocado.

- Minha família é muito tradicional, mal podemos sair, sequer viajar. Assumindo logo o casamento eu me vejo livre dessa pressão deles, vou poder até fazer outras coisas que vivendo na casa dos meus pais eu não poderia.

- Nós estamos juntos há estes anos todos e um relacionamento tão longo assim, chega uma hora que o próximo passo é casar mesmo. Não tem mais sentido a gente ficar só namorando. 


Apenas exemplos criados com base no tanto que pode ser garimpado das declarações dos noivos a respeito do casamento. Se repararmos, não estamos falando de amor, de união com o outro, mas de ajustes técnicos da vida, mais uma questão de logística que de relacionamento. 

É muito fácil nos vermos neste automatismo do "é assim mesmo" e seguirmos conforme as demandas externas ditam e/ou pressionam. E é igualmente muito fácil nos vermos preocupados, insatisfeitos, tristes, irritados diante de uma proposta que deveria ser de, pelo menos, alegria.

Porque será que isto acontece?

Simples, porque respondemos a todos menos a nossa própria vontade, menos aos nossos próprios sentimentos. 

Confundimos estar satisfazendo às expectativas dos outros com realizar nossos sonhos mais particulares... e quando chegamos na troca de alianças estamos levando nossas frustrações mascaradas por preparativos de casamento, de festa, de casa. Quando na verdade, toda irritação pode, muitas vezes, estar dizendo da nossa própria percepção (covarde) de que estamos fazendo a coisa errada, de que na verdade não era bem isto que queríamos estar vivendo naquele momento. 

Dizer SIM é uma das decisões mais sérias que um casal pode passar e tem sido tão pouco refletida. 


A pressa de dar um próximo passo em uma relação amorosa não deve ser guiada pelas demandas externas, mas pelo sentimento de união com o outro que se quer convidar para viver a vida em conjunto.

Em  com-junto.

Só vamos conseguir isto se formos honestos conosco.

Só vamos conseguir dizer SIM se tivermos ousadia para usar o NÃO antes. 

Não temos pressa para viver nada.



Dizer "sim" a um pedido de casamento pode ser uma linda resposta... mas só se você está inteiramente presente nestas três letras, pois terá que estar inteiro na vida que começarão juntos.











* Para ajudar na reflexão deste tema um link de uma repostagem sobre as dificuldades da tomada de decisão para o casamento:      http://nytsyn.br.msn.com/cienciaetecnologia/evitando-a-hesita%C3%A7%C3%A3o-no-caminho-at%C3%A9-o-altar#page=0 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A (nada) bela história do amor


A idéia de amor que nos é apresentada atualmente, começou a surgir por volta do Séc.II e vigora desde então com seus moldes e valores, dentre eles a de que o matrimônio deveria ser correto aos olhos de Deus e dos homens, belo e eterno.  

Assim tem sido.

Assim foi construído.

Desde a predominância do ideal cristão de casamento e dos acordos políticos entre as famílias, trocando bens e títulos, além dos dotes de altos valores pagos pela família da noiva, o belo casal que era unido pela força da sociedade deveria, invariavelmente, permanecer junto, casado, até a morte. Deveria ter filhos, para garantir a permanência dos bens da família entre seus próprios herdeiros (legítimos) e, necessariamente, deveria se expôr publicamente nos eventos sociais, a maioria ocasiões religiosas como missas, quermesses ou bailes. 

A imagem do casal era uma construção valiosa e, por isso mesmo, sustentada, não importando quantos choros ou mágoas, infidelidades e filhos bastardos houvessem nos bastidores das grandes casas, mas diante dos olhos da sociedade, o que deveria ser apresentado era um casal unido pela vontade e benção de Deus. 


Eram felizes assim? 
A felicidade não era a questão. O que se pretendia era ser obediente aos preceitos religiosos vigentes e a vontade/autoridade dos pais. 

Amor e felicidade não eram associados nos primórdios da história do casamento.


Este amor romântico, idealizado como belo e eterno, nos surge como uma construção, para adoçar toda insatisfação e restrição que permeavam os casamentos arranjados pelas famílias, em busca de benefícios materiais, econômicos, alianças políticas e acordos para manter a "honra e nobreza" do sangue.

Muitos jovens se casavam no início de suas adolescências, principalmente as meninas que, via de regra, se passassem dos quinze anos sem um noivo em vista já era considerada preterida e um problema para seus pais. 

Para as meninas a situação era um pouco mais complicada: a família que tinha uma filha já se sentia prejudicada de antemão, pois teria que educá-la para ser uma boa esposa e ainda que somar um dote de alto valor para conseguir casá-la e passá-la adiante, aos cuidados de outro "dono"... por isso perdia o nome da família de berço e deveria adotar o nome da família do marido, como um bem que pertencia à família que a adquiriu.

A moça que permanecesse solteira passava a significar um fardo para sua família. Além de ser motivo de vergonha. Muitas eram enviadas a conventos, trancafiadas até a morte, para ficarem fora dos olhos da sociedade e para sua família não ter que ficar custeando sua existência sem marido. A família preferia pagar um dote razoável à igreja e entregá-la a um "casamento com Cristo" a ter que conviver com ela em suas áreas comuns de casa, pesando em gastos, custando ainda para seus pais.



É de se imaginar que muitos amores explodiam nos corredores dessa vida. Muitos jovens se apaixonavam e trocavam olhares. Alguns fugiam juntos, outros adoeciam ou preferiam se matar a casar pelo acordo de seus pais.



Mas eram a minoria. 






Uma vez obedientes a vontade de seus pais e de Deus, seriam salvos e não condenados aos horrores do inferno por seus pecados, pois o apaixonamento era considerado (bem como todas as paixões) coisa do Diabo.

Por exemplo como no comentário de Regina Navarro Lins *: " Era consenso no  séc. II que no casamento poderia haver estima, mas nunca amor, porque o amor sensual, o desejo, o impulso do corpo é a perturbação, a desordem. Deve ser rejeitado no matrimônio que exige austeridade; a paixão não devia se misturar aos assuntos conjugais."



Diante de tantas ameaças e riscos, parecia melhor obedecer como "ovelha dócil" e viver o que lhes impunham.

A idéia dos casamentos por amor começou sutil e gradativamente. Para isto os movimentos artísticos e literários ajudaram a influenciar, principalmente aos jovens, a darem voz às emoções, as paixões ao invés da obediência.

Contudo, casar apenas pelo rompante de amor, pelo encantamento que se faz entre um casal, passou a acontecer mesmo após o surgimento e impacto de outra arte, o cinema. 


Com os filmes as histórias de amor eram vistas, espiadas como que do buraco da fechadura e a vontade de trazer da tela para a vida real foi crescente. Os sonhos agora não eram só imaginados nas leituras dos romances, mas também vistos, ouvidos, ali diante de nossos próprios olhos... então... não podiam ser mais tão proibidos e feios assim. 

Principalmente depois da construção de Hollywood e seu mundo de fantasias onde heróis e mocinhas terminavam juntos e felizes para sempre, as relações começaram a ser mais valiosas pelos seus sentimentos e não pelos seus benefícios e obrigações. 

De todo modo, ainda hoje há quem case por interesse.

Assim como há os que não acreditam no amor... e os que SÓ acreditam.

Ainda vigora o modelo ideal de casamento construído nos idos da época medieval: a mão da noiva é pedida e o pai a entrega ao noivo e sua família, diante de todos, sob juras de fidelidade até a morte. 


... e ainda hoje isto é o sonho de muitas pessoas...

Porque será?

Vejamos que a sugestão de estabilidade e segurança está presente nesta proposta. 

A diferença que veio com as mudanças de pensamentos e comportamentos ao
longo dos séculos é que agregamos a noção de felicidade a isso tudo e não de sacrifício obediente. 


Por mais relativa que seja a idéia de felicidade, tem sido ela a face por trás da máscara de todos os protocolos e promessas "amorosas".


O percurso da história do amor não nos dá uma lição de que aprendemos a amar. No máximo, que, hoje em dia, podemos (e queremos?) escolher.





   
  
* "A cama na varanda" de Regina Navarro Lins

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Relações impossíveis são as mais seguras

Algumas pessoas investem esforços na estratégia de só se permitir se envolver em uma história de amor que seja impossível de se estabelecer.


Com exatamente aquela pessoa que houve a maior química e encantamento, é a inviabilidade, porque:



é o par de seu melhor amigo (a),

porque mora em outro estado ou país e está apenas de passagem, 

é de outra orientação sexual que a sua,

é de uma hierarquia no trabalho que inviabiliza a relação,

é um(a) ex que acabou de anunciar que se casará ou terá um filho, 

porque TEM que haver um porque para impedir, como medida de segurança. 




A condição de haver um obstáculo prévio para que a relação não aconteça dependente apenas do casal, é o álibi adequado para quem quer se envolver amorosamente mas não sente-se, de algum modo, pronto, para investir em um projeto de amor.





Quando temos um amor em vista, vamos em direção a ele, arrumamos motivos, desculpas, cenas para contruir aquela história com aquela pessoa visada. E neste percurso, há muitos riscos. Inclusive, e principalmente, o de não sermos correspondidos. 

Além disto, um dos piores resultados que encontramos durante a conquista de um amor, é quando o outro nos decepciona, não se mostrando como "parecia", não sendo na proximidade da intimidade e da rotina, o mesmo personagem fantástico que era de longe, anônimo e desconhecido. 


A magia do encanto se quebra quando ficamos perto demais e com os cacos de nossa frustração, também podemos nos ferir.

Se lançar em um novo amor requer coragens para lidar com nossos próprios receios e decepções. 



O outro que nos chamou atenção e encantou de longe, ainda sem fazer parte de nossas vidas, quanto mais próximo, pode nos magoar, frustrar, atingir. Isto também é parte da relação.






Quando nos envolvemos com outro que nos é impossível aproximar, que não tem a possibilidade de ser presente, de nos alcançar, estamos apenas evitando riscos. 

Eventualmente é importante saber e conseguir se poupar dos riscos e desgastes decorrentes de um relacionamento, contudo, isto não cabe quando se fala de amar alguém e se permitir conhecer, pois para isto, é preciso se lançar na história querida...





É preciso primeiro, amar a vontade de amar (e não a si mesmo querendo se preservar intacto).
        

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Relacionamento X Felicidade


A revista Filosofia Ciência e Vida deste mês traz uma reportagem que pode nos servir para refletir sobre a necessidade (ou não!) dos relacionamentos amorosos para desfrutarmos de alguma felicidade e aponta que, as vezes, ser solteiro, ou seja, descompromissado de uma relação séria com alguém, pode ser uma situação agradável, mas quebasicamente, temos dificuldade em admitir isto.

Será mesmo? 

As questões do texto podem ser interessantes e, por isto, ganharam destaque aqui. 

Abaixo um trecho da matéria e o link para ela na íntegra:
   


"Estar solteiro nunca foi um fato social bem aceito. E na modernidade, são cada vez mais constantes as queixas sobre a solidão. Mas estar só não seria uma opção viável e saudável? Para Schopenhauer, a autossuficiência é condição essencial para a uma vida feliz

Tema de grande repercussão social na atualidade, os relacionamentos mostram-se cada vez mais complexos por fugirem de um modelo outrora descrito. Acompanhado da fragilidade pós-moderna em todos os âmbitos da sociedade, os relacionamentos são mais uma questão a trazer angústia para indivíduos esvaziados e que vão buscar em um parceiro um alento para satisfazer suas frustrações. Mas que não sabem mais como se relacionar. A discussão desse artigo se baseia nas ideias de Arthur Schopenhauer, que diz que a felicidade vem de uma forma de vida autossuficiente e de André Comte Sponville que diz que mesmo o amor a dois deve ser solitário. Então, será que estar sozinho não pode ser uma opção, uma escolha? Não existe um meio-termo entre um relacionamento ortodoxo e um estilo de vida hedonista conhecido como “vida de solteiro”?


Não estar acompanhado de um parceiro parece estranho aos olhos da sociedade. Isso pode se dever ao fato de inúmeros exemplos em nosso cotidiano, seja no Cinema, em letras de música, no senso comum, ou nas obras de autoajuda, em que proliferam abordagens simplórias sobre o amor e que alimentam ainda mais as frustrações de relacionamentos por oferecer visões distorcidas e incentivar um posicionamento romântico e raso sobre o tema. ... " Continua: http://portalcienciaevida.uol.com.br/esfi/edicoes/76/artigo272891-1.asp?o=r 







terça-feira, 27 de novembro de 2012

Infidelidade

Muito se fala sobre a questão de trair ou não trair o parceiro, além do que pontuam tipos de traições.

Diz-se que homens traem por motivos diferentes das mulheres e que elas tem sempre uma queixa faltosa atrelada ao seu ato: carência, principalmente.

De todo modo, são meios que usamos para buscar explicação para a questão de porque há traições nos relacionamentos amorosos.

Só que antes de entendermos porque, precisamos esclarecer o que seria uma traição, o que indicaria isto?

Até nisto as opções podem variar: trair pode ser olhar e desejar outra pessoa,
pode ser um beijo,
pode ser só se fizer sexo com mais alguém,
trair pode ser ter um romance paralelo por algum tempo, talvez até somente pela virtualidade da internet.


Seja como for a variação, traição sempre irá nos mostrar que, naquela relação, não existe mais SÓ o casal que se apaixonou, mas sim todas as outras possibilidades de encontro com outros que nos rodeiam. 

Quer seja você, quer o outro que esteja olhando em volta à procura de companhia, tanto faz a duração e o "como", a traição acontece porque já nos voltamos para fora da troca que existiu em algum momento, que foi construída por nós mesmos e sustentada até então...



...mas algo se quebra (o encanto?) e desviamos nosso olhar, o outro que antes era eleito a tudo nosso, é destituído e, no máximo, colocado junto de todos os outros. Não é mais aquela pessoa preferida, mas apenas mais uma pessoa na sua vida.

Como manter os olhos sobre quem amamos? 

Como sustentar o "brilho no olhar" tão comentado pelas pessoas apaixonadas?

Como continuar sendo a "menina dos seus olhos"?

Quantas músicas, romances e textos fazem menção da vigília do apaixonado: - "Eu não tiro os olhos de você"!
Renato Russo cantava: "Gosto de ver você dormir..."*

Nosso olhar nos expõe, revela aos outros o que olhamos, o que estamos dando foco, consequentemente, o que queremos. 

A diferença está no ato.

Queremos muitas coisas... e sabemos que queremos!
(tudo bem, não precisamos admitir tudo para ninguém, ao menos para nós mesmos já é o suficiente)

Contudo, quando fazemos acontecer o que queremos, precisamos nos responsabilizar:
pelo que fizemos e, principalmente, que fizemos porque queríamos. 


Nenhuma relação amorosa tem satisfação alegre 100%.

Problemas, lacunas, dúvidas, ausências, falhas sempre existirão. E é bom que seja assim, pois a construção de uma relação acontece junto com a sua manutenção.

O amor se faz fazendo, ou melhor, amando: se adaptando, tentando acompanhar, compreender, viver junto de quem você mesmo escolheu para estar ao seu lado.



Mas existem os momentos de desencontro e se neles você dá vazão ao seu desejo de se ver livre, ou de viver uma novidade com alguém novo, diferente... Se em algum momento você olhar ao seu redor e ver só faltas onde havia sentido que te complementava, lembre-se: pode ser só você a ver a situação deste modo, o seu modo.  

O modo como vemos nosso par e nossa relação irá mudar constantemente, assim como mudamos ao longo das experiências que vivemos e aprendemos com nosso atos, escolhas de todos os dias... Estamos sempre nos construindo, vendo e revendo valores, metas, sonhos, objetivos, sentimentos e, igualmente, estamos sempre escolhendo nos manter o mais próximo do que queremos.

E o que queremos inclui o que eu quis e o que planejo... as vezes, no amor, podemos esquecer de considerar a importância de rever também estes dois aspectos... ou seja: porque amei você antes? E o tanto que eu sonhava, projetava a vida ao seu lado: o que aconteceu com isto?

O que eu tinha e o que eu planejava também devem contar na minha decisão de agora.

Traição não será uma questão de certos e errados, nem de valores sociais pois cada casal constrói seus limites, com o que se sentem traídos, onde o outro faz falta. 


A questão, inicialmente, cairá em se você quer ultrapassar estes limites falados pelos dois... mas, mais ainda, o que você quer com isto?

Trair ou não o seu par não é exatamente a questão aqui, mas se é algo que tem sentido na sua história, no que você busca realizar para si mesmo diariamente.

O que você está vivendo ao lado desta pessoa foi você mesmo que escolheu, é você quem contribui para ser ou não uma história de amor que funcione razoavelmente bem... e optar por se distrair buscando outra pessoa, olhando ao redor para outras oportunidades, é só mais uma possibilidade, que, igualmente, não irá resolver o desconforto anterior. 




As histórias de amor são mutáveis e, apesar das juras de eterna fidelidade, que fazemos para tentar abrandar a insegurança perene de que o encanto se turve e nos desperte, sempre haverá a possibilidade de novos outros para ambos, tanto quanto a escolha de ir ou de ficar...     



   
      


* Canção "O mundo anda tão complicado" de Renato Russo

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Apenas Uma Noite" Filme


Um casal que, em meio uma pequena crise, vive a situação de passar uma noite longe um do outro, diante da possibilidade de refletir sobre sua relação e a fidelidade de cada um com o amor que viviam.

O filme "Apenas uma noite" pode oferecer a muitos casais a oportunidade de pensarem a respeito do que querem fazer do relacionamento que tem, sem que precisem se expôr, de fato, como os personagens da trama.

Fica a dica:




Mais sobre o filme: http://omelete.uol.com.br/cinema/apenas-uma-noite-critica/

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A paixão acabou ou apenas mudou?



É praticamente uma idéia comum que casais em início de relação são apaixonados, ardentes e que mal conseguem disfarçar o interesse sexual de um pelo outro.







Contudo, algo acontece ao longo do relacionamento que parece que tudo isso sofre alterações e a imagem daquele casal que estava sempre disposto a arranjar estratégias para ficarem a sós, se transforma, gradativamente.

Mas o que muda com essa "paixão" se a dupla continua a mesma?

Quando conhecemos alguém temos a curiosidade constante de conhecer, nos familiarizar, nos aproximar.

Tudo é motivo para estar mais perto porque há muito para apresentar de um ao outro.


Assim, o tempo passa mais rápido, as horas são mais divertidas, as novidades são o tema vigente. E elas estão presentes tanto no que diz respeito ao corpo e toque um do outro quanto em hábitos e gostos, onde tudo parece ser motivo de apresentações e novidades.

É quando queremos conhecer tudo desta nova pessoa, nos tornar presentes, ser incluídos em sua vida, fazendo assim, nesta troca de apresentações constantes, um se tornar cada vez mais familiar ao outro e quanto mais aconchegante a relação se torna, mais segurança e quanto mais segurança, parece que temos a partir daí, menos sensação de aventura, menos pressa... Não precisamos nos empenhar tanto em conhecer, nos apresentar, nos devotar a absorver o mundo da pessoa que escolhemos. 


Não temos mais tanta preocupação em conquistar, em prender atenção, em cativar.

Mas como manter a atenção de um no outro já que este casal se tornou próximo, estável, e sentem-se seguros?

Parece que isso é um defeito.




Exatamente o que é tão buscado pelas pessoas que querem se apaixonar, é o motivo de queixas, pois a estabilidade e a rotina andam juntas; a familiaraidade parece que, muitas vezes, ao invés de aprofundar a relação e tornar este casal mais intenso em seu modo de amar, seguro para ousar um com o outro, exatamente porque se conhecem e estão unidos de modo estável, ao contrário, eles enjoam. 


Parece que quanto mais íntimo, mais enfadonho.


Porque será que este paradoxo é tão comum?


Uma vez que estamos com aquela pessoa exata que escolhemos, parece que a paixão acaba. 


É ela que se extingue ou somos nós que acabamos com ela?





O que parece, muitas vezes, é que estamos buscando pela própria paixão e não por uma pessoa para (con)viver. 
Quando temos a paixão como uma necessidade, a condição para desfrutá-la é encontrar alguém apaixonante e, enquanto assim for, será um par ideal. Até que venha a rotina com suas mesmices e repetições e tudo perde o sentido.


Em contrapartida quando buscamos por uma pessoa para ser companhia de vida, a paixão (durando o tempo que durar com suas apresentações de novidades e imprevistos) é um ganho secundário, pois onde encontro sentido para continuar nesta relação, é com o outro e não na intensidade do sentimento apaixonado que ele me desperta. 


Seja como for, a "paixão", ou seja a vontade intensa de estar junto de alguém, de aproveitar ao máximo os momentos a dois, de desfrutar do corpo, presença e companhia um do outro, é um momento que ambos irão construir e fazer acontecer o tanto que lhes for de interesse. 




Gradativamente a paixão se acomoda no abraço... então você escolhe fazer disto um ninho para diferentes carinhos, ou um álibi para buscar outros braços.    
     

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vamos dar um tempo?

As vezes a vontade de estar distante do outro é maior do que a de estar ao lado, mas isso pode não significar que haja menos amor. 

Buscamos pelo afastamento por vários motivos e cada casal terá, dentro de sua própria história, seus meios de realizar isso sem que seja prejudicial à relação. 

Isso porque nem sempre a proposta de conversa e tentar resolver as questões dos dois, juntos, funciona.

As vezes cada um precisa avaliar a situação sozinho, distante do que está sendo o conflito, para conseguir ponderar sobre como irá agir dali para frente.

O problema da condição de "dar um tempo" é quando isso vira um hábito: diante de qualquer imprevisto ou dificuldade que o relacionamento passe, lançamos mão do "Preciso de um tempo; preciso pensar longe disso tudo; preciso de espaço para pensar no que fazer", etc. Isso toda hora, mais do que ameaçar, cansa. E nosso par pode não conseguir lidar com esta "estratégia" se ela ocorre com frequência.   


Pedir um tempo, além de significar que estamos sinalizando ao outro que o que estamos vivendo está confuso ou demasiado, mostra também que precisamos tentar resolver sozinhos. Precisamos olhar as opções apenas pelo nosso prisma para não nos distanciarmos muito do que nós mesmos queremos fazer e ser. 

Isso, naturalmente, ameaça com o alerta de uma possibilidade de término, mesmo que remota, pois o meu par está dizendo que não quer e não precisa de mim para ajudar em nada no que diz respeito ao conflito que há. 


"Preciso de um tempo" pode não significar que preciso mais nem menos de você, de nós. Mas, exatamente, que preciso não ser apressado para resolver.

Assim como cada um necessita de seu próprio espaço individual dentro de um relacionamento, posto que, obviamente, não dá para viver junto o tempo todo interagindo; também poderá acontecer de um ou outro precisar de um tempo, uma trégua de vida a dois para poder rever algumas questões que apenas, sozinho, conseguimos. 


Não é a condição mais confortável que existe em um relacionamento, mas se estiver acontecendo podemos tentar compreender tanto o que nos levou a esse "distanciamento estratégico" quanto a importância dele para que possamos encontrar as respostas que precisamos. 

Precisar de um tempo, ou seja, precisar ficar afastado do relacionamento temporariamente, pode ser oportunidade de estancar os erros e parar para buscar soluções, outras opções. 

Pode ser a estratégia ideal para perceber melhor toda a situação do casal e conseguir apontar onde há méritos e deméritos, assim como uma tela de arte que, vista com a testa encostada nela, não revela nenhuma paisagem, mas que, ao nos afastarmos para olhar, conseguimos ver a cena por inteiro... aí sim poderemos criticar ou elogiar.
... aí sim poderemos ter alguma noção mais clara de como são as coisas e o que posso fazer com elas.