Alguns relacionamentos são nocivos tanto ao casal quanto a quem o rodeia.
Nestes, fica notório o mal estar e a tensão comuns na união, que expressa mais as piores características de cada um do que a extroversão de um par apaixonado.
São estes os casos dos casais que não se entendem, tem poucas afinidades, que geralmente estão desencontrando quer em fases de vida, quer em oportunidades, por exemplo: no exato momento em que um ganhou uma promoção gigantesca no trabalho e será transferido por um longo prazo para outra cidade, o outro conseguiu aprovação em um projeto que o vincula, igualmente, por um longo período na cidade onde está.
Há uma constante de desencontros e muita dificuldade em conseguir entender o que o outro diz, expressa, demonstra.
São estes que buscam os amigos com a mesma questão: "o que fulano quis dizer com isso?"
Em meio a tanta dúvida e especulações, a relação fica sendo erguida em hipóteses individuais e não pelas contribuições do dois, pelas certezas que ambos fizeram ser mútuas, pelos favorecimentos que eles se empenharam para que a relação estivesse cada dia mais presente em suas vidas.
Se os dois não se empenharem em ser parte deste relacionamento amoroso (veja bem, não estamos questionando aqui se não há amor, partimos do princípio que estes dois se amam), em permitir que esta relação tenha espaço, aconteça em suas vidas privadas, simplesmente eles não estarão juntos.
Eventualmente conhecemos "casais" que são a face da dúvida e dos desencontros por muitos anos e mal conseguem se apresentar como um par. Dizem "nos conhecemos", "nos acompanhamos", alguns até ousam um "mais ou menos namoramos" faz tanto tempo, mas porque essa dificuldade? Simples, os dois sabem que, de fato, não tem uma vida a dois. Que, no máximo tentam correr atrás do que se passa na vida do outro e tenta participar de algumas coisas para não perder o contato de vez... por causa do amor que sentem.
Tanto esforço vale a pena?
Se for mútuo, sim. Aí também não será tanto, mas uma parte de cada um e os dois conseguirão ter uma vida comum.
Os dois tem que ceder, participar e principalmente deixar claro ao outro que a presença dele é importante.
Apenas um fazendo, não há como. Só porque relacionamento é com dois. Não se relaciona exatamente uma coisa com ela mesma, é auto-referência demais para uma história de amor.
E não se ama sozinho...
é bom que não.
Cansa quando isso acontece e quem o faz pode se desgastar tanto a ponto de se anular, se descaracterizar para virar uma sombra da pessoa amada.
Vale o esforço?
Amor só se for a dois (exatamente como na música) e se a pessoa que ama anda mais sozinha que com o seu amor, está frequentemente dando desculpas aos amigos a respeito da ausência de seu par, fica buscando álibis para si mesmo para explicar as faltas que o outro lhe faz e continuar com esta "relação"; talvez seja interessante cogitar a possibilidade de se desvincular deste mecanismo engendrado por você mesmo, e tentar viver o que já tem acontecido: viver sozinho.
... ao menos por um tempo...
Não vai mudar muita coisa, exceto a sensação de desgaste por amor unilateral que você tentava equilibrar, entender, justificar, começará a se dissipar e você poderá se sentir ao menos, menos preocupado...
Talvez até para olhar ao redor e ver se há alguém olhando para você e arriscar TROCAR, ao menos uns olhares.


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