"Nós dois somos como um só"...
Isso que soa muito romântico para uns é, na verdade, um filme de terror ao ponto de vista psi.
Partimos do óbvio: de 2 não se faz 1 e pior, cada um é diferente (por mais afinidades que tenham) do outro.
Basicamente um casal é composto por dois individuos (individuais) que escolheram estar juntos, mas daí a serem "o mesmo", é outra história.
Sendo dois que combinam, trocam, negociam, se acertam ou se desencontram; ambos estão no movimento natural de um relacionamento.
Sendo dois, com cada um se empenhando em ser tal como o outro quer ou seria, é mais complicado. Isso porque há uma busca por auto-anulação em prol do outro, da relação, "por amor"; mas será que isso é feito em prol de si mesmo?
Tem gente que se anula facilmente, não vê problema algum neste 'modo de ser' e mais, se agrada disto. OK!
Mas e se isso não acontece?
Me empenho, porque amo, em ser tudo o que o outro sonhou, em fazermos tudo juntos, em adaptar a vida de acordo com o que o outro gosta ou faz (bom é quando os casais fazem isso mutuamente) e é neste círculo selado que há o relacionamento amoroso. Dentro disto o amor fica "perfeito".
Certo?
Não!
O mundo é mais do que isso: o gosto por lugares, pessoas ou mesmo uma ínfima particularidade que deixamos preservada; são inúmeras as excessões ao ser "como se fosse um só".
Cada um é separado do outro, por mais comprometida, intensa e avassaladora que seja a relação amorosa. Porque vocês dois são 2 e que por mais que o amor seja imenso, é impossível você ser O outro, ser como ele, viver como ele, pois você é e sempre será SÓ você. No máximo você escolhendo ser como o outro.
É comum ouvirmos sobre a simbiose dos casais. Fruto da larga proximidade e da intimidade, ela surge como um modo de segurança ou certezas dentro do amor, mas, sem escapatória, como afirma Sartre:
"O outro é aquele que não sou eu".
Essa afirmação que parece óbvia, entre um casal pode ser algo muito impactante, pois, se dar conta que, por mais que vocês se empenhem, haverá sempre uma distância, é ver que ter plena certeza dentro do amor fica impossível.
A distância dentro de uma história amorosa não deve ser vista como vilã. Ela é bem vinda quando não significa egoísmo.
Em inúmeros manuais ou livros sobre terapia de casais há sugerida a orientação de que seja mantida a individualidade; que ambos tenham seus afazeres e preferências considerados inequeivocamente.
No que isto seria útil?
Pensemos pelo lado da oferta de novidades: os dois terão elementos seus, preferências, experiências, para contar, dividir, trocar... pelo menos assim é mais difícil ser aquele casal monossilábico comum de ser flagrado em restaurantes.
Fazer da separação óbvia de dois 'modos de ser' um aliado da relação, tal como um truque saudável ao amor e uma boa estratégia para se livrarem do tédio de ser-um-só, a mesma coisa, tudo igual o tempo todo. Abrir espaço...
até para um abraço é necessário...
só assim um pode receber o outro.




Pois é Anita, de repente, soa que o obvio é o que menos se ver. As diferenças que se atraem. Penso que se os casais adotassem esta forma de vida, viveriam uma relação mais harmoniosa. Excelente!
ResponderExcluirAbraços
AMEI este post, Anita. E o seguinte também. Complementares e perfeitos!
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