Alguns casais parecem que nunca estão felizes juntos e, ainda assim, nunca se separam.
Geram mal-estar aos que os rodeiam, familiares e amigos sentem-se constrangidos e ainda duvidosos quanto a estabilidade emocional, afetiva, amorosa. Geram mal-estar a si mesmos, constantemente envolvidos em conflitos mútuos, trocas de acusações, ofensas, desgastes.
Sempre estão "terminando", nunca terminam: nem as questões pendentes, muito menos a tal relação que tanto dasagrada.
Estes parecem viver infelizes. Juntos ou separados, não estão satisfeitos e vivem como se fossem reféns da própria relação. Contudo, basta ver que são eles mesmos que se colocam nesta espinhosa dinâmica de vida a dois.
Que haja briga nos relacionamentos, pode-se dizer que isto seja até esperado, vide a necessidade de ambos se acertarem e se aceitarem e, para isso, haja negociação!
Mas a briga não é uma constante num universo amoroso.
Amor é amor, não é conflito, embora este passeie por alguns momentos (breves!) dentro da relação.
Quando um casal briga frequentemente, pode acontecer de nem perceberem mais o tanto que isto ocorre.
Se acostumam com o mal que se fazem, que co-habita a relação, que lhes tira o sono e a alegria. E estar sempre a ponto de terminar ou sempre terminando e reatando no mesmo dia, no mesmo fim de semana, mesmo evento, já torna-se uma rotina.
Este jogo de perder e ganhar o outro; de partir e voltar; de estar e não-estar junto, tanto cansa quanto frustra. Então por que não sair simplesmente dessa engrenagem?
Por causa do amor.
Por causa do medo.
E mesmo o amor que une, também sufoca, vigia, incomoda, prende, afasta, repele.
Isso acontece porque não aceitamos bem o que é amar alguém e por não sabermos lidar com as dificuldades normais do relacionamento, ou com as diferenças (necessárias) do outro, brigar e (ameaçar) terminar nos soa como a saída de emergência providencial para nos tirar dessa enrascada de amar.
Termino com você já que esta é a porta anti-pânico mais próxima que encontro para abrandar meus medos e inseguranças.
Te ameaço, te culpo, ofendo e digo que vou embora... tudo como um blefe para, na verdade, ouvir que é importante que eu fique, que sou necessário, que não consegue viver sem mim, etc e tais motivos de orgulhos a mais.
Mas...
Assim, me sinto amado, com menos medo de ser traído, abandonado, enganado e então, volto, instantaneamente, para nossa vida juntos.
E indo e vindo, ao longo do tempo, construimos, assim, um modo de amar.
"Terminar", ou mesmo a simples ameaça de que isso será feito, pode ser uma hábil estratégia para fugir dos conflitos, acabar com a briga e encerrar o assunto. Pior ainda, ao fazer isto tenho ares de vencedor, pois foi eu quem deu fim a isso tudo, eu fui o ofendido, sou a vítima e é você quem deve me pedir perdão.
O que há de errado nisso? Tudo!
Há uma busca por quem é mais forte, mais poderoso, mais mais mais... e isso é coisa muito equivocada quando o que é importante acontecer em um relacionamento a dois é equivalência, ajuda mútua, companherismo, união.
Também esta "estratégia de terminar" a cada desentendimento mais grave, simplesmente não resolve a questão, só a corta bruscamente e as diferenças, os conflitos, problemas, detalhes, não estão resolvidos, estão apenas abandonados.
O que lhes falta para olhar firmemente seus defeitos e resolverem? Juntos ou individualmente, esmiuçar a questão que os tira a paz pode não ser o mais fácil, mas certamente é o melhor para o casal.
Ficarem se ameaçando de abandonos frequentes ao contrário de construir a relação de união e confiança, só deteriora.
A cada "término" ou a cada ameaça disto, os dois se sentem abandonados.
Os dois desacreditam, gradativamente, no amor que havia e o que os une não é mais ele, mas o medo de perder o amor.
Tentem não usar a saída mais fácil e bater a porta na cara do que estava precisando ser resolvido junto com o outro.
Batam, sim, a porta, e se tranquem do lado de dentro para voltar a confiar e aprenderem juntos como continuar.






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