No livro "Canalha!" do Fabrício Carpinejar, uma das crônicas chama atenção pela dica clara e bela que nos é oferecida a respeito do amor. Seu título é "Só isso" e a proposta dele é, se ele pudesse gravar uma fita k7 (o mp3 de hoje em dia!) com as vozes das mulheres que conheceu falando o que esperavam do amor para deixarcomo instruções a seu filho, teria gravado as seguintes palavras:
"Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palitos de dentes, trocar os talheres de um momento para outro.
Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem.
Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opnião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente.
Amar para valer, para provocar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como "estou confuso". Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar.
Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio. Amar como a canoa engatinha na margem, árvore deitada de bruços.
Amar desavisado, com vírgula entre o sujeito e o verbo.
Amar desatinado, pressionando a amar mais, a amar mais do que é possível lembrar.
Amar com coragem, só isso."
Em seu texto o autor aposta que "tudo isso" viria apenas das mulheres, mas, de certo, muitos homens pediriam "só isso" também.
Não?
Amor e coragem... Uma boa dupla para seguir com uma história de vida a dois.
"Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palitos de dentes, trocar os talheres de um momento para outro.
Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem.
Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opnião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente.
Amar para valer, para provocar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como "estou confuso". Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar.
Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio. Amar como a canoa engatinha na margem, árvore deitada de bruços.
Amar desavisado, com vírgula entre o sujeito e o verbo.
Amar desatinado, pressionando a amar mais, a amar mais do que é possível lembrar.
Amar com coragem, só isso."
Em seu texto o autor aposta que "tudo isso" viria apenas das mulheres, mas, de certo, muitos homens pediriam "só isso" também.
Não?
Amor e coragem... Uma boa dupla para seguir com uma história de vida a dois.



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